Manteiga ou margarina: qual escolher?

Manteiga ou margarina: qual escolher?

O brasileiro é um ávido consumidor de manteigas e margarinas e o setor industrial sempre lança novos produtos no mercado. Historicamente, a manteiga se transformou em uma das grandes vilãs no cardápio, por ser rica em ácidos graxos saturados. Já a margarina, que não contém gordura saturada por ser de origem vegetal, foi considerada uma alternativa mais saudável. Porém, os estudos constantemente comprovam o contrário, sendo a manteiga indicada como uma opção mais saudável em relação à margarina.

Durante o processo de fabricação da margarina ocorre a hidrogenação dos óleos vegetais, com formação de ácidos graxos trans. O processo é realizado para se obter produtos sólidos ou semissólidos com maior es­tabilidade em relação à oxidação. Essas substâncias são responsáveis pelo aumento dos níveis plasmáticos do LDL-colesterol e diminuição do HDL-colesterol, representando fator de risco para desenvolvimento de aterosclerose, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares. Além disso, deixam o organismo mais vulnerável a condições inflamatórias.

Não podemos esquecer que a manteiga e a margarina são conhecidamente produtos ricos em gorduras e consumidos muitas vezes de forma excessiva. Dessa forma, se associadas a uma dieta desequilibrada e rica em outros tipos de lipídios, além de um hábito de vida sedentário, esses dois produtos podem levar o indivíduo a desenvolver obesidade ou, ainda que dentro do peso, ao acúmulo do LDL-colesterol nas artérias. As complicações de saúde não demoram a aparecer nesse quadro. Para os obesos, insere-se mais um agravante: o tecido adiposo libera substâncias pró-inflamatórias que os predispõe a futuros eventos cardiovasculares. Além disso, estudos recentes mostram que a liberação dessas substâncias também está relacionada com o desenvolvimento de Diabetes Melittus tipo II, mesmo em indivíduos sem evidências de resistência à insulina.

Há diversas margarinas consideradas menos impactantes na saúde, como as com fitoesteróis. Ainda assim, os aditivos químicos estão presentes em grande quantidade nesses produtos e trazem consequências para o organismo, muitas vezes imperceptíveis em curto prazo. Além disso, dependendo de como essa margarina é utilizada em preparações culinárias, pode trazer outros malefícios devido ao aumento de produtos de oxidação dos fitoesterois presentes. Como alternativa ao processo de hidrogenação, desenvolveu-se a margarina produzida por meio de interesterificação, que já recebe críticas pesadas e é até considerada mais impactante na saúde do que o processo de hidrogenação.

A manteiga, apesar de ter a gordura saturada, tem papel importante em diversas funções no nosso organismo em pequena quantidade, principalmente devido à presença de butirato. Já no caso da margarina, a gordura trans é produzida pelo homem e não é necessária ao corpo. Assim, ela não traz nenhum benefício.

É importante lembrar que a OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece que o consumo de gordura trans deve ser inferior a 1% das calorias diárias ingeridas. Já a ingestão das gorduras saturadas não deve ultrapassar 7% das calorias diárias, segundo a National Cholesterol Education Program – Adult Treatment Panel III.

Esses dados reforçam a importância de consumir moderadamente a manteiga e de evitar a margarina. A grande questão, talvez de toda a Nutrição, é educar para que haja um equilíbrio da ingestão de produtos.

De modo geral, considerar o equilíbrio, a individualidade bioquímica e o consumo de mais alimentos in natura é a melhor opção, sendo estes pilares fundamentais da nutrição funcional para atingir a vitalidade positiva.

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